Perdi o direito de ter esperança no Brasil dos sonhos de minha geração. E como isso dói! Nasci, cresci, vivi com a perspectiva do “Brasil, País do Futuro”, previsto por Stefan Zweig. Muitas vezes, esse radioso porvir pareceu-nos próximo. Mas tudo desmoronava, ruía. A esperança, porém, ressurgia, ainda mais fortalecida. E voltava a ruir. Hei, hoje, de confessar ter aprendido a amarga realidade de a esperança estar vinculada ao tempo de vida de que se dispõe: “ainda há tempo de esperar”. Para mim, houve. Debalde! Há poucos anos, uma frase – não me lembro se de um sábio, se de um profeta – levou-me a refletir ainda mais sobre a aventura de viver: “A esperança retardada adoece o coração.” Meu coração esteve todo o tempo doente e eu não o percebera. Doente de esperanças retardadas, frustradas, ruídas. E doente de tanto teimar na esperança que nos permitia sonhos sem fim. Que orgulho, quanta esperança, o “gigante pela própria natureza, belo, forte, impávido, colosso”! Como é doloroso viver tanto e, ao final, ter medo de ter sido, tudo, apenas ilusão. Minha esperança de ver esse Brasil glorioso morreu. Ficou longamente enferma durante a ditadura militar. E, hoje, temo por uma recaída ...